Attilio Baroni estava com muita vontade de rodar com a Super
Ténéré e para ele reservamos um período especial, o fim de semana precedido
pelo feriado de Corpus Christi. Deste modo o colaborador teve tempo de submeter
a grande Yamaha a todas as condições de uso possíveis.
Em exatos 909 km rodados, mais da metade em rodovia,
Attilio, segundo ele mesmo, fez de tudo. Andou na cidade, andou na estrada, foi
de São Paulo à Campos de Jordão, levando a Super Ténéré a 1.700 metros acima do
nível do mar e, na sequência, “despencou” rumo ao litoral, mais exatamente para
a cidade de Santos. Rodou bastante na chuva, inclusive à noite, e assim pode
conhecer à fundo a aventureira japonesa.
Attilio conta como foi seu contato com a Super Ténéré: “No
feriado fui a Campos do Jordão e logo de cara percebi que esta Yamaha tem uma
ergonomia muito bem estudada. Na verdade entendo que ela tem um projeto
‘matador’ onde nada foi deixado ao acaso, fazendo jus à grande experiência da
marca neste tipo de moto. Aliás, como
ela atrai! Bastava parar para alguém vir comentar, querer saber mais, ou
lembrar das Ténéré de outras épocas. Nesta Yamaha o guidão, banco, posição das
pedaleiras, protetividade do para-brisa, comandos em geral, tudo colabora para
o conforto e bom domínio da moto. Tomei chuva na estrada e pouco me molhei,
estava frio e não precisei me agasalhar exageradamente já que a vocação
estradeira dessa moto fez os projetistas pensar em detalhes importantes, como o
bom desenho dos protetores de mão, do para-brisa e dos defletores nas laterais
do painel. Estes dois últimos são opcionais importantes, o para-brisa é maior
que o de série, e fazem a diferença na estrada. Quanto ao comportamento
dinâmico achei a moto irrepreensível.
Pneu dianteiro: já perto da hora da troca
Faz curva como uma esportiva apesar do pneu dianteiro já ter
vivido dias melhores. A tortuosa estrada que leva a Campos de Jordão está com o
asfalto novinho e ali pude sentir a excelente capacidade desta volumosa moto se
comportar como se fosse menor. Ela é surpreendentemente ágil e obedece de
maneira fácil aos comandos. O comportamento do motor é curioso pois até 3-3,5
mil rpm, parece áspero, vibrante. Depois disso fica suave até os 6-6,5 mil
quando volta a vibrar. Mas isso em vez de ser problema considerei
característica. De fato na estrada ela em última marcha mantém 120 km/h a cerca
de 3.700 rpm quando o motor está bem redondo.”
Da serra da Mantiqueira, Attilio passou à outra serra, a do
Mar, para descer à Santos, mas antes rodou em na capital paulista, esvaziada
pelo feriado. “No uso urbano seria melhor se a Super Ténéré tivesse um câmbio
mais macio. Não é que seja ruim, mas os engates não são uma ‘manteiga’. Apesar
disso ela é uma moto fácil de levar mesmo com a grande largura do guidão e do
peso não exatamente baixo. Com as malas laterais, ela não é tão larga à ponto
de comprometer seu uso urbano. As suspensões na esburacada cidade se mostraram
ótimas, com boa capacidade de absorção das irregularidades e detalhes
importantes como a visibilidade através dos espelhos retrovisores. Quando fui a
Santos, aproveitei mais as malas laterais e percebi a razoável capacidade do
bagageiro, pleno de pontos de amarração. Mesmo com garupa o comportamento da
Super Ténéré se manteve ótimo em curva, com estabilidade irrepreensível e
excelente sensação de segurança. E falando nisso, que freios! Apesar do pedal
traseiro ser meio esquisito, para dentro, a atuação deles é muito boa.
”
Farol: poderia ser mais potente.
Attilio conclui seu depoimento falando do que não gostou: “O
farol é ruim, pior o baixo que o alto na minha opinião, mas que não condiz com
o padrão desta moto. Uma aventureira deve ser superior neste item. Os faróis
auxiliares são bons, mas o principal deveria ser, sozinho, suficiente. E não é.
O consumo é também um ponto meio crítico. Está certo que ela é grande e pesada,
mas mesmo usando o modo de potência mais brando, o melhor que consegui foi
16,95 km/l, número que com pressa cai facilmente para perto dos 13 km/l. No
entanto isso não derruba o mérito dessa moto, difícil de superar quando o
assunto é viajar sem escolher muito o caminho. Rodei um pouco na terra e
percebi o quanto ela ‘pede’ para ser pilotada em pé, e como a ergonomia é
acertada para este tipo de tocada, com os joelhos bem encaixados, o guidão à
mão e o comportamento equilibrado que a caracteriza prevalecendo. Outro recurso
ótimo é o controle de tração, que especialmente na chuva ou na terra molhada
ajuda muito, até mesmo piscologicamente.”
E de Attilio a Super Ténéré passará às mãos de outro
colaborador, a ser selecionado entre a verdadeira legião de colaboradores que,
por curiosidade ou admiração pelo modelo, se candidataram a agarrar o grande
guidão desta Yamaha.
Continua - (será postado na segunda feira)
Fonte: Revista M.
0 comentários:
Postar um comentário