segunda-feira, 15 de julho de 2013

HONDA PCX 150, O TESTE




 Enfim chegou às nossas mãos o tão falado lançamento da Honda, o scooter PCX 150. Bonito e com ótimo acabamento, de cara conquistou a admiração de todos aqui – o mesmo fez com nove entre dez pessoas que consultamos, graças às suas linhas descoladas e contemporâneas. Mas este teste “é meu”, e logo tomo posse da enorme chave, item indefectível do interessante sistema Comb Lock (sobretampa magnética no contato). Saio da redação em uma chuvosa noite paulistana de fim de maio, na primeira missão prática do PCX em minhas mãos. De cara chama a atenção a facilidade e rapidez com que o motor entra em ação, incrivelmente com mais suavidade do que quando é desligado, graças ao ISS (Idilling Stop System), que desliga o motor quando fica em marcha-lenta por mais de três segundos. Nada do tradicional “chau-au-au-vrum” de um veículo normal, é “vrum” direto! O propulsor entra em ação instantaneamente, mesmo frio, parece mágica! Mas sei exatamente como funciona um motor e dou um tempinho para ele tomar seu salutar banho de óleo relaxante. O scooter parte silencioso e sem vibrações de motor.

Uma surpresa surge ao encarar a primeira típica rua paulistana, na verdade apenas um pouco de asfalto em meio a um mar de remendos malfeitos: o PCX permanece silencioso, inclusive quanto a carroceria e suspensões – mas pula feito um cabrito, de dar dor no baço após um certo tempo ao guidão! É clara a opção pela firmeza, com exagero mesmo, até para que não surja o temível fim-de-curso. Como não há nenhum tipo de regulagem, inclusive nos amortecedores traseiros, o jeito é se acostumar e/ou sugerir para a Honda uma “amolecida” nas próximas edições do PCX. Paro no semáforo, com o ISS ativado, e… nada! A magia do desligamento automático não aparece, mas é assim mesmo: é preciso que o motor esteja aquecido para que o inteligente sistema comece a atuar, o que ocorre depois de uns dois ou três quarteirões rodados.





Falando nele, logo chegam outras aberrações do solo paulistano, primeiro uma lombada, poucos minutos depois uma valeta. Oba, hora de testar mais a fundo o comportamento dessas suspensões em pisos tão atípicos (para os “gringos”…) quanto estes. Na primeira, como não aliviamos a mão, o scooter deu uma pequena decolada e aterrissou firme, mantendo a trajetória sem sustos. Na segunda, exageramos na dose e o baque foi feio, do tipo “será que entortei a roda?”. Não, o maior prejuízo foi um forte impacto da mão direita contra a caixa dos comandos elétricos que, ainda bem, é toda arredondada e nada agressiva. A reação do PCX não foi tão indiferente quanto antes, mas não chegamos a ter maiores dificuldades com o controle. A pressa me faz olhar para o belo e muito bem iluminado painel, em busca de um relógio, e nada: já que há um display digital, bem que o “bobo” poderia ter sido lembrado pela Honda, uma vez que custa praticamente nada (naquele momento foi inevitável me lembrar de camelôs oferecendo relógios digitais a R$ 5,00…).

A chuva aperta e me lembro que propositadamente dispensei as polainas, para verificar na prática a tão propalada capacidade de um scooter de manter os pés secos. OK, eles assim ficaram, mas em diversos momentos senti vontade de unir mais os pés, mania mesmo. Claro, no PCX não dá, pois há uma elevação no meio da plataforma para abrigar o tanque e outros elementos. Outro bom teste na chuva foi o dos freios. O sistema combinado CBS (Combined Brake System) do PCX funciona quase como se fosse ABS, explico: como o manete esquerdo aciona um dos três pistões da pinça flutuante dianteira, e as lonas do freio a tambor (argh!) traseiro, a frenagem é suavizada, sendo necessária mais força na mão, ficando quase impossível bloquear uma roda. Ótimo para chão molhado e/ou para novatos! Mas o trânsito de São Paulo é maluco mesmo, e logo um motorista ensaia invadir meu panorama com seu SUV ameaçador e paquidérmico: nessa hora chamei a trabalhar os dois manetes, com força, e o resultado foi uma parada em espaço curtíssimo e com forte desaceleração – chão bem aderente, seja dito. Cuidado, meu feeeling alertava que, caso houvesse qualquer “oeni” (objeto esparramado não identificado) no solo, os pneus estreitinhos do PCX não teriam feito a menor cerimônia em derrapar.

 INVERSÃO - …de valores! Na primeira grande avenida cravo o velocímetro nos 60 km/h, velocidade máxima permitida, tentando sentir a queda de giros que a central eletrônica capitã do motor promete. De fato o motor ronca macio e se aproveita do bom torque que oferece (1,41 kgf.m a 5.250 rpm), quase que dá para “sentir” que o PCX está economizando bem, a conferir mais tarde com a calculadora na mão. De repente, uma “fechada” provocada por um motorista, uma das maiores causas de acidentes de motociclistas que nunca é lembrada na hora das estatísticas – “moto é perigosa e pronto”. Reação rápida, dedo na buzina e… nada, apertei a tecla dos piscas, que está onde não deveria estar.

Tento entender onde a cabeça do japonês com espírito revolucionário frustrado estava quando bolou tal inversão. Pensando bem, no Japão o hantai (ao contrário) é meio institucionalizado, como prova o volante dos carros no lado direito, a mão de direção oposta, o açúcar em comidas que deveriam ter sal, as portas de casa que se abrem para fora, a escrita da direita para a esquerda, as revistas de trás pra frente…  Após muito divagar, consigo chegar a só uma conclusão: japa maluco…
 Chegando perto de outra grande avenida, paro atrás da “irmã guerreira” do PCX, a CG 150. Pela segunda vez amaldiçoo a inversão dos botões de piscas/buzina: dou um toque involuntário na tecla errada, bi bi, e vejo o rosto motociclista curioso enchendo o espelho retrovisor da CG. Dá vontade de explicar, “não foi nada não, essa Honda é meio maluca e inverteu os botões aqui…”. Percebo que o motociclista está possuído pelo “espírito MotoGP”, e bombeia o acelerador com olhos fixos no semáforo que momentaneamente se transforma no primo rico de Interlagos. Arrancamos com vontade e, surpresa! O sistema ISS é tão eficaz e rápido que scooter e moto partem juntinhos, como que provando a paridade de potências, na casa dos 14 cv. Nesse interim deu para notar também que o CVT do PCX aproveita muito bem a força do motor, sem patinadas de embreagem desnecessárias ou muito tempo segurando a “primeira marcha” (polias em posições extremas, “de força”). Apenas mais um fato que deve se traduzir em economia de motor e de gasolina.



Chegando em casa, hora de estacionar. Nas manobras de garagem, o motor do scooter se desliga a todo momento, inconvenientemente. Hora de usar a tecla que desativa o sistema ISS, que resolve o inconveniente. Desligo o motor, mas lembro que vou precisar da luz do farol por mais alguns instantes, para guardar algumas coisas e pegar outras. Ao religar a chave, apenas os dois faroletes que ladeiam o farol principal funcionam: espertinho o PCX, ele poupa a energia da bateria, naturalmente sobressolicitada por causa do ISS. Mas esses faroletes  não conseguem emitir “luz curva” que chegue ao bom porta-objetos sob o banco: bem que ele poderia ter iluminação e, se não for pedir muito, uma forraçãozinha, nem que seja com um carpetinho mixuruco, como têm até scooters mais populares. Mas o tamanho é bom e no dia seguinte consegui abrigar facilmente a capa de chuva e um capacete reserva. Todavia, em outro dia coloquei um kit de corrente/cadeado no baú, e a partir daí surgiu um “blupt-blupt” a cada buraco: o revestimento evitaria ou ao menos atenuaria o incômodo ruído.

 - No dia seguinte, volta à Redação, rotina diária. Vejo o mar de carros, centenas deles, entupindo a avenida com o sugestivo nome de Brasil. As ondas de gases ascendentes distorcem as imagens e vão formar aquela faixa marrom no horizonte – dizem que a poluição gerada pelos automóveis está acabando com o planeta, pouco duvido. Imagino as toneladas de poluentes que deixariam de ocupar nossos céus caso todos os veículos tivessem o ISS. Penso em nossos políticos, quem sabe algum dia eles desenvolvam um mínimo de inteligência e criem leis úteis, incentivando os veículos elétricos e tornando o ISS obrigatório, por exemplo. Os carros partem e logo param de novo, normal em Sampa, e nessa hora o torque de “CG das fortes” e a boa maneabilidade deste scooter implicam grande agilidade, só atrapalhada um pouco pelo guidão, que poderia ser um pouquinho mais estreito e ter as ponteiras antivibração embutidas, como a própria Honda faz em diversas motos. Ainda falando em guidão, como ele é curiosamente igual ao de uma moto e inusualmente alto para um scooter, nunca interfere com as pernas do condutor – apenas se este for tipo Oscar do basquete, poderá ocasionalmente tocar seus joelhos na parte traseira do escudo. Por sua vez os espelhos se portaram bem, garantindo boa retrovisão graças a seu tamanhão e não se movendo em buracos “normais” (ao vencer uma cratera se desregularam, sim).

Fim de semana chegou, arrisco pegar uma estrada, pouca coisa, mais para testar o PCX nessa condição. Com vento neutro, após uma aceleração consistente e suficiente (0 a 80 km/h em 12s.) alcancei pouco mais de 115 km/h na reta, o que significou 107,8 km/h reais, excelentes para a categoria. O número é maior que muita moto de mesma cilindrada que há por aí, um mérito para quem tem câmbio CVT. Fora mínimos balanços perto da velocidade máxima, típicos de scooters e nada assustadores, não registrei nenhum problema de estabilidade. Confirmei ainda a natural falta de proteção aerodinâmica, uma vez que o para-brisa é pequeno, mas ao menos as pernas e os pés viajam relativamente protegidos, item importante na categoria scooter.

Aproximava-se a hora de devolver o “quase totalmente gostoso” PCX, buá. O quase fica por conta da dureza das suspensões, e até fiquei um tanto cismado: não estaria sendo muito chato e/ou crítico? Minha coluna vertebral não estaria reclamona demais? Resolvi obter uma segunda opinião. Ofereci uma voltona a um experiente mecânico, que voltou encantado com o desempenho e a ausência de ruídos do PCX. Mas, falando sobre as suspensões, comentou: “bem firme, lembra quando colocamos excesso de óleo nos amortecedores…”. Dois a zero. Tá bem, mais um palpite, desta vez de um motociclista e engenheiro mecânico pra lá de habituado a todo tipo de moto. “Esqueceram dois pedaços de cabos de vassoura dentro dos amortecedores?”. Três a zero. Está na cara, são suspensões destinadas a um Primeiro Mundo lisinho, não ao nosso Brasilzão modelo queijo suíço. Não devem incomodar muito os impetuosos jovens ou quem está apenas interessado em ir até o mercado ali pertinho, ou dar apenas voltinhas dominicais no condomínio, mas quem rodar por distâncias maiores certamente vai amaldiçoar um pouco o engenheiro que calibrou essas suspas…

Tchau, PCX, tchau genial ISS, mas antes vamos às contas, para saber se é totalmente vantajoso investir no veículo R$ 7.990 (que na verdade já se transformaram em quase R$ 9 mil em algumas lojas, o tal ágio ataca outra vez…). A média geral ficou em 34 km/l, nada má até para uma moto de 150 cc, que tem câmbio mecânico, menos “gastão”.  Mas não dá para se empolgar, pois o tanque tem apenas 5,9 litros e acarreta uma autonomia perto dos 200 km, desde que você não use o acelerador no modo “tudo-nada” – quando poderá vê-la descer para algo em torno de modestos 150 km.

Para azar da concorrência, a Honda com este novo scooter acertou a mão mais uma vez. Só esperamos que o efeito novidade passe logo e o preço volte  ao patamar normal, os 8 mil adequados reais que podem ajudar a mobilidade urbana (e o meio ambiente) brasileiro a dar um importante passo à frente.

ENTENDA O ISS – O grande diferencial do PCX é denominado ISS (Idilling Stop System), que opera com um gerador de corrente alternada ACG (Alternating Current Generator). OK, alternadores desse tipo não são nenhuma novidade, o incomum é ele servir também como motor de arranque! Veja como funciona: quando o motor a combustão está desligado, uma luz pisca no painel informando o fato ao piloto. Para religá-lo, basta apertar o “start” ou apenas acionar o acelerador, se o ISS estiver ativado (pode-se desligá-lo por meio de uma tecla): o motor passa a funcionar com uma facilidade notável, graças a dois truques que explicaremos adiante.

O sistema é simplificado e dispensa atritos: não há o motor de arranque tradicional, suas ruidosas engrenagens redutoras e as problemáticas placas de partida… Um verdadeiro ovo de Colombo, que só não se popularizou ainda por causa do maior custo e da exigência que o motor tenha um bom torque, fundamental para trabalha com o maior peso (com e sem aspas) que recai sobre a ponta do virabrequim. “Peso” da maior oposição que o monte de bobinas que o sistema exige faz ao movimento giratório do magneto. E peso maior deste, que também é bem grandinho para o tamanho da motoca.



Outro detalhe é que as engrenagens redutoras de um motor de arranque convencional não estão lá à toa: elas servem para facilitar a vida do motor elétrico pequeno, que de forma direta não conseguiria acionar o “pesado” motor a combustão. E nem o ACG conseguiria, a não ser que tivesse o tamanho de um botijão de gás. A saída encontrada pelos engenheiros da Honda talvez tenha sido inspirada na lembrança de um produto que eles mesmos fizeram no passado: você se lembra das XL/XLX 250, em que era preciso ficar procurando o ponto mais favorável para acionar o pedal de partida sem levar um coice memorável? Pois o ACG faz exatamente isso, dando uma giradinha no motor para trás, até achar o tal ponto (esse reposicionamento é conhecido como Swing Back). Além disso, um descompressor automático cuida de tornar o movimento do pistão mais fácil. Assim, o motor a combustão “entra” com uma grande docilidade, de modo quase imperceptível. É cair o preço para o sistema se popularizar – não prevemos um futuro sem o ISS até nas motos básicas.




Fonte: Revista da Moto

9 comentários:

Anônimo disse...

Olá, comprei uma PCX 150 para minha esposa e acontece que adorei também a motoca, é simplesmente maravilhosa estamos muito satisfeitos e o custo-benefício é fantástico, fora o "ágio" que normalmente tem em lançamentos. Recomendo!

Anônimo disse...

Tenho uma desde o inicio de junho..já passou pela primeira revisão sem traumas e surpresas..excelente..bem segura no trânsito de São Paulo..ponto negativo? Somente os retrovisores que estão alinhados aos retrovisores dos veículos de maior porte como as caminhonetes ou pickups...já dei uma leve pancadinha em várias pickups....rs... suspensao traseira muito mole...com garupa sente bater ate o fundo ao passar pelos buracos....e tirando o assédio das pessoas que me param todos os dias para perguntar da novidade...eu recomendo.

Anônimo disse...

Essa scooter e simplesmente maravilhosa em todos os aspectos,e a minha sétima scooter e nenhuma se compara a honda PCX,RECOMENDO.

santamaro disse...

Eu não tive muita sorte com a minha. Veio com o guidão torto, fria ela trepida q parece q vai desmontar, o painel embaça quando fica no sol (já troquei na garantia e continua a mesma coisa), quando ando a 90 km/h uns 3 minutos ela joga água pra fora, já troquei os amortecedores traseiros e ficou a mesma coisa!!!. Maldita hora q troquei minha DAFRA CITYCOM 300i nessa bosta

Unknown disse...

a minha tem 3500 km e esta apresentando uma trepidação ao sair, na primeira revisão foi tudo bem mais agora já está com esse problema que me parece vir do cvt.

R. AUGUSTO disse...

Tenho uma e já rodei 28000km e está perfeita, é a scooter mais silenciosa e econômica que já tive

R. AUGUSTO disse...

Tenho uma e já rodei 28000km e está perfeita, é a scooter mais silenciosa e econômica que já tive

Rafael Bairros disse...

Minha pcx 2017 enquanto o km não trepidação nada. Depois de 2000 mais ou menos já começou a trepidar ao arrancar e a Honda sem vergonha diz que é normal, da onde que isso vai ser normal Honda? Uma pequena vibração scooter faz mais o que nos usuários de VERDADE falamos e que ele trepidar mesmo... bastante, não é normal, se não podem conserta então parem de produzir. A trepidação vem mais quando está fria, depois de umas horas parada ao arrancar suavemente vibra mais forte ainda. Vamos resolver dona Honda.

Motocicletas disse...

Gostei muito da sua postagem.Sempre gostei da Honda PCX 150.

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